sábado, 2 de abril de 2011

O melhor remédio

"Tem tempo pra tudo..."
"Tudo tem seu tempo!"
Meu Deus... Duas expressões angustiantes!

            Pra se ter uma noção de como o tempo é maravilhoso, temos uma infinidade de situações pra refletir. Algumas (muitas) vezes, ele é tudo que a gente mais precisa. Mas, naturalmente, a gente demora a descobrir isso.  A constatação acontece quando conseguimos ter consciência de que esse tempo chegou. Não raro, acontece de percebermos somente depois de transcorrido.
E foi quando vivia um lento período dessas constatações, que encontrei alguém que forneceu mais luz à minha descoberta. Sr. Paulo, de Serrinha (que eu nunca tinha visto em lugar nenhum) mora em Salvador há alguns anos trabalhando, e assim como eu, enfrenta uma rotina desgastante longe do conforto da família e dos bons e velhos amigos.
Pouco tempo antes das eleições, recebi uma aula de história e política do Brasil numa perspectiva revoltada (e justa), sobretudo, diante de um olhar desacreditado daqueles que detém o poder num país que tinha tudo para ser uma das maiores referências. Ouvi também uma análise cronológica da realidade do trabalhador, sobre alguns dos obstáculos que se encontra, bem como as limitações que se adquire durante o tempo dedicado ao trabalho, mesmo com toda capacitação e vontade de ir em frente no ofício.
... E como o tempo tem culpas e méritos durante a nossa história!
Entre funções e razões que o precioso tempo tem em nossas vidas, uma das incontáveis é a preocupação. O tempo é inevitavelmente (e essencialmente) preocupante! Se assim não fosse, teríamos poucas razões para viver. Estamos sempre numa corrida contra o ele, e apesar disso, esperamos que ele colabore conosco. Um verdadeiro paradoxo.
Só que ele age normalmente, o nosso comportamento é que muda conforme a experiência. Se achamos que ele passou muito rápido, significa que vivemos situações em que já não temos tanto que aprender. Então, tiramos de letra!
Mesmo tendo discutido vários temas interessantes, o ponto central da minha reflexão foi a educação que os pais dedicam trabalhosamente aos filhos. Sr. Paulo me relatou, com muito pesar, a preocupação que lhe afligia quanto ao futuro do seu único filho, que estava no último ano da escola e até então não havia manifestado forte interesse em seguir com os estudos.
              Para ele, que não tinha um negócio seguro pro filho, nem uma bola de cristal pra prever o que ele deveria esperar, incentivar os estudos era, infalivelmente, o que ele poderia fazer de melhor naquele momento. O que ele queria era, como sempre, fazer algo para garantir que o garoto estivesse bem encaminhado. Foi esse o momento em que aquela velha máxima veio à minha mente: "pai é tudo igual, só muda de endereço". Máxima essa que se confirma na história de cada filho, especialmente quando recapitula as cenas mais comuns das tão longas novelas.
 Ao recapitular a minha, lembrei que sofri com as restrições que tentei enfrentar na infância. Não era capaz de compreender 'aquele tipo de educação'. Me sentia presa, injustiçada, mesmo tendo uma infinidade de alternativas compatíveis com a época que vivia. Apesar de todos os diálogos, das negociações, nunca entendia porque meus pais não me permitiam fazer algumas coisas que outras pessoas com a mesma idade que eu tinham carta branca pra fazer.
Mas, também... Não era tempo.
Coisas como fugir de casa e me rebelar passavam exaustivamente pela minha cabeça. Entretanto, sempre me contive. No dia desse encontro, com 18 anos, passado então um bom tempo, cheguei a uma feliz conclusão. Constatei que aos poucos fui ganhando a liberdade que desejava, e acredito que isso só foi possível graças ao respeito que tive pelo tempo. Através do diálogo, da paciência, o laço de confiança que construí com meus pais, pude entender a importância de esperar o tempo das coisas. Consequentemente, pude aproveitar melhor as fases. Tive uma infância com tudo que uma criança tem direito. Me contento com a memória recheada de lembranças que me dão saudade, mas que, sobretudo, me orgulham.
Nunca agradeci diretamente a meus pais a educação que recebi até agora, porém, volta e meia, num dos nossos desenrolados e enriquecedores diálogos, esse é um assunto já esgotado. Não há mais nada que não se tenha falado. Mas eles já entenderam essa mensagem! =) Todos as ordens e proibições se transformaram em conselhos. E nada além do tempo seria capaz de tal proeza. Entre lágrimas, traumas e aprendizados, no fim das contas, eles me viram expirar um ar processado, como observar uma máquina expulsar os restos da matéria-prima que não servem mais pra construir bons produtos.
É claro que eu não sou o modelo de filha perfeita. Não tenho a intenção de me desenhar assim, da mesma forma que não acredito que seja possível, em nenhum canto do mundo, construir humanamente tal modelo. Entretanto, quero registrar o saldo desse processo tão complicado que é educar filhos. Não tenho dúvidas que eles erraram muitas vezes, tanto quanto estão suscetíveis a errar. Alguns desses erros foram corrigidos a tempo, uns adaptados e outros tantos irreparáveis.
               Saber que meus pais estão satisfeitos e orgulhosos com o ser humano que tenho me tornado, a forma como encaro a vida, os valores que cultuo, as minhas escolhas... São fatos que me engrandecem. Isso faz de mim uma filha igualmente orgulhosa e satisfeita, feliz em ter aquelas pessoas como orientadoras do meu tempo.

Resta a incontestável verdade que o tempo é, ao lado de muitas coisas intituladas essenciais, o melhor remédio.
Uma receita que serve pra todos os males e pessoas.


terça-feira, 18 de janeiro de 2011

Coragemmm

Volta e meia me pego apreensiva, me cobrando sobre o compromisso que fiz comigo mesma de compartilhar aqui tudo aquilo que me desperte a necessidade de expulsar desse depósito multicolorido e supercarregado que é minha mente.
Pensar nas diligências que devo cumprir num futuro muito próximo tem sido a minha maior preocupação. Não me sinto revigorada pelas férias, preparada para enfrentar o novo ciclo que me aguarda. Bem verdade, não soube aproveitá-las da maneira mais saudável. Tenho poucas, mas consideráveis novidades. Mudanças bruscas, mas que não me tocam com a mesma profundidade de outras. O curioso é que, junto com tudo isso, a minha vontade mais constante é de me resguardar, me privar de exposições.
Apesar de as mudanças não me perturbarem, o fato é que, estar me ocultando, por mais incrível que pareça, não é contraditório. Não pra mim.
Os motivos pelos quais demorei pra voltar a postar algo aqui já foram explicitados, devidamente justificados pelas responsabilidades que inevitavelmente terei que assumir. Entretanto, tempo eu tenho. Quando realizamos aquilo que nos engrandece, que eleva a nossa auto estima e nos traz a sensação de utilidade, se valer do pouco tempo que resta dos compromissos, não implica, de maneira alguma, um sacrifício.
 Só me resta reencontrar a parte do meu ser que por muitas vezes teve inestimável prazer em socializar, que tinha a comunicação como alimento indispensável ao bom relacionamento.
Talvez eu precise me reiventar. E quem sabe descobrir uma outra "qualidade" que me faça tão bem quanto a que agora me faz sentir tão estranha. Até que esta, para mim, indispensável, se resolva com as minhas confusões e aceite que agora só resta espaço para ser coadjuvante.
 Não que eu não goste da solidão. A propósito, há um bom tempo venho descobrindo as vantagens de manter algumas ideias intactas.

O próximo encontro não tem previsão certa de publicação. Preciso organizar minhas lembranças e estar suscetível às reflexões que delas surgirão. A verdade é que este não é o momento mais propício. (Pelo menos essa certeza!) hahaha
Mas, aí está, mais uma viagem da minha cabecinha! =)

Um abraço fraternal desejando dias mais tranquilos, porém produtivos;
E paz nos corações, luz nos projetos, cabeça aberta às mudanças e vida aos sentimentos!
=*

quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

Pequenos detalhes, incontáveis diferenças

Daltinho, unanimamente considerado uma figura ímpar. Foi com ele meu primeiro e memorável encontro no velho São Matheus de guerra. Uma surpresa tão digna quanto engraçada (pra não perder o costume). Na verdade, nunca consegui a façanha de me despedir dele sem dar umas boas risadas, por mais rápido que tenha sido o encontro.
Faz meses. Era uma sexta-feira, vinha direito da faculdade, estava em semana de prova. E a propósito, tinha acabado de enfrentar uma. Com dor de cabeça, fome, sono e o sempre presente, mas nem por isso indesejável calor. O suficiente para justificar a cara tão amarrada com que adentrei o ônibus e procurei logo a poltrona indicada na minha passagem, pra não ter que gastar mais energia com alguém que viesse me informar que ali era seu lugar. hueheuheheuheu
Minha poltrona era bem na frente. Logo sentei, nem observei os outros lugares e estava só esperando o ônibus sair da rodoviária para que o cobrador viesse conferir a passagem e eu pudesse tentar dormir. Isso aconteceu, mas não se completou. Mal tínhamos saído da rodoviária, uma pessoa sentou do meu lado. Eu nem olhei pro lado pra não dar nenhuma oportunidade de papo.
[...] Do breve e hilário cumprimento, completamente condizente com a expressão facial, até chegar ao nosso destino final, não houve mais silêncio. Não tive paz. Não consegui dormir. No entanto, extravazei as energias indesejáveis, pesadas e acumuladas. Conversamos sobre muitas coisas. Arrisco dizer que filosofamos. Os minutos passavam lentamente, e da mesma maneira se deu nosso papo. O tempo transcorreu como se estivesse a nosso favor, já que uma viagem tão corriqueira não tinha mais atrativos que a fizesse agradável.
Nos conhecemos bem melhor, conseguimos até falar sério! Pude perceber o quão inteligente ele é, o quanto é capaz de sentir e o quanto é forte. Mas não cabe aqui ficar citando minhas constatações, se ele nem tem conhecimento dos comentários que estou tecendo a seu respeito. E também a quem ler esse texto, isso muito pouco vai importar.
O diálogo além de me proporcionar autoconhecimento, me trouxe reflexões que renderam diversas pulgas atrás da orelha e invadiram cabelo adentro, pois que ainda povoam minha cabeça e volta e meia insistem em obter uma direção. Algumas coisas também pouco devem importar aos leitores, em especial quando forem extremamente pessoais, claro.
O que quero registrar, porém, servirá para alguma coisa. Mais uma vez tive a oportunidade de não me deixar abater por coisas tão menores que a graça de viver.  É sempre assim quando nos encontramos com pessoas que exalam alto astral e não poupam palavras, por mais futeis que sejam, para fazerem os outros também rirem. Quão difícil é muitas vezes constatar isso! Na verdade, só reconhecemos o merecido valor do bem-estar quando não estamos nada bem. E ainda mais, são nesses momentos de transição que nos deixamos perceber o poder dos pequenos detalhes, a diferença que mínimos e simples gestos podem fazer na nossa vida.
Se deixar abater com facilidade só não faz mal pior porque é um processo naturalmente inerente à vida humana. É como numa roda gigante: muitas vezes numa irradiante felicidade, quase pedindo pra que o mundo pare ali, e quando menos se espera, láááá em baixo, lamentando para sair daquele lugar.
E assim continuamos... O que não se deve fazer é alimentar sentimentos depressivos, nem admitir a estagnação. Mas como dever, poder, e querer são verbos que precisam de muito esforço e perspicácia para que sejam conjugados corretamente, que bom que existem pessoas bem intencionadas, bem humoradas, bem situadas... Enfim, pessoas de bem!

quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

Escrever, um Prazer!


      Há 2 anos moro em Salvador. 198 km longe da família, da rotina tranquila. Logo após ter sido compulsoriamente  "expulsa" da escola, separada dos melhores, mais antigos e confiáveis amigos, para trilhar um caminho completamente distinto, que, em meio a tanta confusão, significava o outro lado da moeda. Estava indo em busca do tal 'futuro melhor', mais confortável para toda a família. Mudei de cidade para cursar a faculdade de Direito, curso pelo qual nunca fui apaixonada, onde cheguei levada pela curiosidade, mas que, a partir de agora, venho me encontrando e começando a descobrir o que pode vir a ser a tão almejada realização profissional.
Devido a pequena distância entre as cidades que contrastam a minha realidade, desde a minha mudança tenho viajado com muita frequencia, com a finalidade exclusiva de alimentar a saudade, uma das protagonistas da minha rotina. A ideia do blog surgiu quando, pela quarta vez, alguém, como quem não quer nada além se seguir viagem para um certo destino, sentou ao meu lado e por algum motivo se sentiu à vontade para 'trocar ideias' comigo. 
No início achava muito estranho, até incômodo. No entanto, como toda rotina, os repetidos trajetos Salvador - Serrinha, que já eram monótonos, estavam se tornando cada vez mais chatos, principalmente considerando que, além do tempo e do calor do meio-dia (a propósito insuportável), nem o sono colaborava para que eu fizesse uma viagem, no mínimo, tranquila.
Já encontrei pessoas conhecidas, criei algum vínculo com quem havia acabado de conhecer, e até já viajei com velhos amigos... Sobretudo, o mais interessante dessas experiências foi quando, num momento iluminado, viajando sem ter sido surpreendida por nenhum encontro, me permiti analisar reflexivamente sobre os momentos que coincidentemente (será?) já me aconteceram durante uma viagem.
Não chegam a 10 os episódios que vivi nessa ocasião. E só tive a decisão de criar o blog um bom tempo depois do primeiro deles. Por isso, não pensei a tempo em anotar os principais detalhes. Espero conseguir transmitir com minhas palavras, à minha maneira de escrever, uma parte significativa dos sentimentos que venho adquirindo, afim de provocar em quem ler meus textos, uma espécie de reflexão saudável, que talvez acrescente, mas que ajude a (re)pensar temas pendentes, que desperte novos sentimentos, planos, que ajude a decidir, e que, especialmente, ofereça a criação de muitos outros (novos) vínculos, que proporcione a troca de experiências através das palavras.
    Não postarei somente quando surgir um episódio acontecido numa viagem, porque assim correrei o risco de não comparecer com a frequencia que desejo. E o meu desejo é estar sempre por aqui. Então, caso sinta vontade ou necessidade de postar algo que julgar pertinente, me valerei dessa ferramenta, afinal, quaisquer ideias que forem trabalhadas em um texto meu, inevitavelmente se revelarão 'viagens de ana binha'. =)

O meu desejo mais sincero é que quem aqui chegar seja muito bem-vindo!
Farei o possível (continuar viajando) para que encontros que motivaram a criação deste blog não deixem de acontecer. Assim, a medida que acontecerem, terei o prazer de escrever!

=*