quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

Pequenos detalhes, incontáveis diferenças

Daltinho, unanimamente considerado uma figura ímpar. Foi com ele meu primeiro e memorável encontro no velho São Matheus de guerra. Uma surpresa tão digna quanto engraçada (pra não perder o costume). Na verdade, nunca consegui a façanha de me despedir dele sem dar umas boas risadas, por mais rápido que tenha sido o encontro.
Faz meses. Era uma sexta-feira, vinha direito da faculdade, estava em semana de prova. E a propósito, tinha acabado de enfrentar uma. Com dor de cabeça, fome, sono e o sempre presente, mas nem por isso indesejável calor. O suficiente para justificar a cara tão amarrada com que adentrei o ônibus e procurei logo a poltrona indicada na minha passagem, pra não ter que gastar mais energia com alguém que viesse me informar que ali era seu lugar. hueheuheheuheu
Minha poltrona era bem na frente. Logo sentei, nem observei os outros lugares e estava só esperando o ônibus sair da rodoviária para que o cobrador viesse conferir a passagem e eu pudesse tentar dormir. Isso aconteceu, mas não se completou. Mal tínhamos saído da rodoviária, uma pessoa sentou do meu lado. Eu nem olhei pro lado pra não dar nenhuma oportunidade de papo.
[...] Do breve e hilário cumprimento, completamente condizente com a expressão facial, até chegar ao nosso destino final, não houve mais silêncio. Não tive paz. Não consegui dormir. No entanto, extravazei as energias indesejáveis, pesadas e acumuladas. Conversamos sobre muitas coisas. Arrisco dizer que filosofamos. Os minutos passavam lentamente, e da mesma maneira se deu nosso papo. O tempo transcorreu como se estivesse a nosso favor, já que uma viagem tão corriqueira não tinha mais atrativos que a fizesse agradável.
Nos conhecemos bem melhor, conseguimos até falar sério! Pude perceber o quão inteligente ele é, o quanto é capaz de sentir e o quanto é forte. Mas não cabe aqui ficar citando minhas constatações, se ele nem tem conhecimento dos comentários que estou tecendo a seu respeito. E também a quem ler esse texto, isso muito pouco vai importar.
O diálogo além de me proporcionar autoconhecimento, me trouxe reflexões que renderam diversas pulgas atrás da orelha e invadiram cabelo adentro, pois que ainda povoam minha cabeça e volta e meia insistem em obter uma direção. Algumas coisas também pouco devem importar aos leitores, em especial quando forem extremamente pessoais, claro.
O que quero registrar, porém, servirá para alguma coisa. Mais uma vez tive a oportunidade de não me deixar abater por coisas tão menores que a graça de viver.  É sempre assim quando nos encontramos com pessoas que exalam alto astral e não poupam palavras, por mais futeis que sejam, para fazerem os outros também rirem. Quão difícil é muitas vezes constatar isso! Na verdade, só reconhecemos o merecido valor do bem-estar quando não estamos nada bem. E ainda mais, são nesses momentos de transição que nos deixamos perceber o poder dos pequenos detalhes, a diferença que mínimos e simples gestos podem fazer na nossa vida.
Se deixar abater com facilidade só não faz mal pior porque é um processo naturalmente inerente à vida humana. É como numa roda gigante: muitas vezes numa irradiante felicidade, quase pedindo pra que o mundo pare ali, e quando menos se espera, láááá em baixo, lamentando para sair daquele lugar.
E assim continuamos... O que não se deve fazer é alimentar sentimentos depressivos, nem admitir a estagnação. Mas como dever, poder, e querer são verbos que precisam de muito esforço e perspicácia para que sejam conjugados corretamente, que bom que existem pessoas bem intencionadas, bem humoradas, bem situadas... Enfim, pessoas de bem!

Um comentário:

  1. Anaa Binhaaa,

    Ameeei esse seu texto, na verdade muito me ajudou a olhar esses pequenos detalhes da vida por outro ângulo. Estou numa fase ruim, muito ruim... Não consigo achar nada que me faça distrair a mente, pensar em outra coisa, quanto mais o tempo passa, mais vejo eu me afundando nos meus próprios pensamentos pessimistas...
    E olha que eu não sou muito certa, sou uma dessas pessoas que falam besteiras para ver um outro sorrir, mas ultimamente estou precisando de alguém que me faça sorrir!

    Obrigada pelo apoio indireto do seu texto, rs...
    Adooroo você, Nanaaaa.

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